Comprei meu primeiro carro quando tinha 17 anos. Já fazia aulas de volante e não via a hora de completar 18 e fazer os exames para tirar minha habilitação.
Era um Gol vermelho, muito velho, daqueles quadrados e detonado por dentro e por fora. Um dia meu irmão disse que teria que tomar uma vacina antitetânica antes de entrar nele, de tão enferrujado.
Nos fins de semana, o Sr. Hélio (que Deus o tenha) me levava para praticar o que eu tinha aprendido na auto-escola. Íamos para uma rua que ele achava deserta e tranqüila, mas só achava, pois passava muitos caminhões e o carro pulava muito. Era apavorante e ao mesmo tempo divertido. Hoje penso que o carro não tinha amortecedores rsrs.
Um certo domingo, ( tinha um batizado para ir) combinei de emprestar o carro para um amigo da minha mãe. Mas ao invés de esperar vir buscar, decidi levar até a casa dele. Resultado: Fiquei no meio do caminho... rsrs. Hoje lembro que não conseguia sair de uma “depressão” que na época parecia mais um buraco.
Quando sentiram a minha falta e a do carro, todos ficaram desesperados. E detalhe: eu não tinha celular. Na semana seguinte meus pais (principalmente minha mãe), decidiram que eu tinha que vender o carro e que só ia comprar outro quando tivesse a habilitação.
Fui convencida por que meu pai me "chantageou" dizendo que financiava um mais novo e que ajudaria pagar as prestações.
E foi isso o que aconteceu, alguns meses depois eu tinha um Escort Cinza (não muito novo) na garagem. Só não tinha a mesma coragem de antes. No inicio achei que era medo apenas de ralar o carro...sei lá. Mas o tempo foi passando e eu passei a ter uma tremedeira tão grande quando pegava no volante, que não conseguia controlar minhas pernas. O medo foi aumentando, meu irmão se apossou do carro e eu simplesmente desisti.
Há uns cinco ou seis anos atrás, me deu uma louca e decidi que queria uma moto. Fiz aulas, fiz o exame e comprei a bendita. Alguns meses depois o mesmo problema: perdi a coragem e a coitada ficou encostada.
Nossa... impossível descrever a frustração e decepção comigo mesma.
Daí me deu a louca novamente e decidi: OU VAI, OU RACHA
Fui numa concessionária sem que ninguém lá de casa (meus pais) ficasse sabendo e comprei um Corsa Azul (que parece roxo). Lembro que meu ex era totalmente contra e que não quis nem saber. Ou seja, fui sozinha mesmo.
Aluguei uma garagem e o mau humorado levou pra mim. Mas não consegui guardar o segredo nem se quer um dia. Não me agüentei e contei pra todo mundo rsrs.
Levei o carro para a garagem de casa uma semana depois. Dei muitas voltas sozinha e acompanhada. Arrisquei ir e voltar do trabalho algumas vezes. E assim fiquei com o Corsa quase três anos. Quando conheci meu marido (casei faz 23 dias), ele não dirigia então até me virava bem apesar das minhas limitações em ir só por perto.
Então decidi que queria uma carro mais novo e com quatro portas. Achei que ia me incentivar ainda mais. Vendi o Corsa para o meu irmão e comprei o Palio (da mesma cor). Mas foi o contrário do que eu imaginava, aos poucos voltou o meu medo... tudo de novo e ainda pior.
Hoje sei que tenho uma doença chamada FOBIA... um tipo de medo por antecedência.
Não consigo controlar meus pensamentos, quando dou por mim já estou imaginando tantas coisas ruins e travada.
Mas minha meta para 2012 é vencer e me curar. Desde adolescente sempre tive o sonho de ter o meu carro e dirigir. Principalmente de levar minha família comigo para muitos lugares.
Eu vou conseguir. Mais uma vez : OU VAI, OU RACHA.










